Empreendedorismo - O que pode se tornar um negócio?

Em 2013 conclui o ensino médio. Por ter uma condição de vida relativamente boa, nunca me preocupei em trabalhar ou até mesmo estudar para ingressar em uma faculdade. Só em 2018 que consegui uma bolsa através do PROUNI. Nesses 5 cinco anos, até me preocupar com ganhar dinheiro ou ter status social, vivi minha vida com muita despreocupação e focando só nos lazeres. Minha condição permitia fazer isso. Quando comecei a namorar pra morar junto, tive que me esforçar para obter uma fonte de renda.
A faculdade me lembrou de um antigo costume do ensino médio: Fazer trabalhos dos outros por dinheiro.
Para entender o motivo pelo qual conseguia fazer esses trabalhos acadêmicos, temos que voltar no tempo e dar uma olhada no meu progresso escolar. Minha família estava conectada com os dois lados da moeda de classes sociais no Brasil. Passei por várias fases, desde dormir com fome, ou no chão, até dormir no ar-condicionado e estudar em escola particular. Lembro que os momentos em que eu tirava nota alta era os mais tristes porque não tinha amigos na sala de aula e quando resolvia ter, minhas notas caiam. Estudar em uma escola particular te da incríveis vantagens, eles usam a artes, informática, colônia de férias, teatro, espanhol, laboratórios e muitas outras ferramentas que passavam muito longe da escola pública.

 

Um curso EAD tem muitos alunos que trabalham e tem condições de pagar por ele. Na época em que comecei o curso consegui ganhar bastante dinheiro resolvendo os problemas acadêmicos dos colegas de classe. Mas esse trabalho tinha um problema: Só se ganhava dinheiro no ano letivo. Eu precisava ter uma segurança financeira, apareceu a oportunidade de fazer o concurso da minha cidade, estudei e passei. Atualmente recebo um salário mínimo. Meus familiares dizem que eu tenho sorte e que também nasci virado para a lua. Eu concordo. Uma pessoa que está no ensino fundamental que tem que trabalhar pra sustentar a família e geralmente larga os estudos não vai ter as mesmas oportunidades que eu tive e nem o tempo. Essa lacuna entre 2013 e 2018 foi um período da minha vida que acho que todos deveriam ter. Uma espécie de autoconhecimento, reflexão e vagabundagem. Relacionamentos amorosos imaturos, alcoolismo e camaradagem foram o prato principal desse período. Mas dentro dessa bagunça da adolescência, nascia uma criatura que hoje viria a se tornar uma forma de ganhar dinheiro e de manter minha saúde mental. A música! Na época dos celulares de botão, minha prima me apresentou a uma música que tinha ouvido em uma minissérie na TV só que ainda não sabia como encontrá-la. Era Beirut. Elephant Gun pra ser mais exato. A Globo lançava um projeto chamado Capitu e eu cismava com a aquela música. Nem lembro se alguém chegou a trair ou não, só lembro que na época não tínhamos fones de ouvido e tinha que colocar o celular no ouvido pra ouvir música alta. Parecia que toda hora eu estava em ligação. Tá, mas o que isso tem a ver com ganhar dinheiro? Ganhei mais dinheiro com o trabalho fixo do que trabalhos acadêmicos ou música. Se me lembro bem acho que ganhei uns U$ 0,18 centavos em dólares com a música (2021). Gravei um reggae no fim de 2019 com o dinheiro que consegui fazendo trabalhos na faculdade. Os meus clientes recebiam uma nota mais alta que eu porque não caprichava nos meus trabalhos.
Mas porque escolhi a música como sendo o principal investimento sendo que ganho muito mais com os outros negócios?
Simples, a música é o combustível. Depois que espremi tudo que a banda Beirut poderia dar, senti uma necessidade de fazer música pra alimentar minha alma. Teve uma época que foi fácil porque estava apaixonado, mas as melhores só saíram quando eu estava feliz comigo mesmo.

 

Queria eu que todos tivessem a oportunidade de conhecer o seu próprio combustível para a alma e ganhar dinheiro com o mesmo. Quando canto ou ouço uma música, deixo a minha visão do que é a vida, mais interessante. É um negócio que quase nunca tenho que trabalhar.


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